Antonio Adolfo e o samba no jazz em ‘Tropical Infinito’

by • 10 de junho de 2016 • Novidades, textosComments (0)1176

Uma homenagem aos artistas , inspirada no som de uma época bastante intensa no mundo, com vários conflitos politico-geográficos e uma manifestação cultural intensa. Assim é "Tropical Infinito", o novo CD do pianista,produtor educador e compositor Antônio Adolfo. Os músicos participantes do novo CD de Adolfo são: Jessé Sadoc (trompete/flugelhorn), Marcelo Martins (sax tenor/soprano), Serginho Trombone (trombone), Leo Amuedo (guitarra), Jorge Helder (contrabaixo acústico), Rafael Barata (bateria/percussão) e André Siqueira (percussão). Claudio Spiewak (violão), participou em 3 faixas: Killer Joe, Cascavel e All The Things You Are. Além das composições de Adolfo ,encontra-se também standards de jazz como  Killer Joe, Whisper Note , Song For My Father, Stolen Moments e All Things You are. Nas linhas abaixo, segue a entrevista do pianista ao repórter e editor de Pauliceia do JazzAntonio Adolfo - Capa CD 'Tropical Infinito' 2016 - Pauliceia do jazz: Todas as suas gravações que tenho aqui são de quintetos, mas dessa vez soou bem diferente, com um som mais encorpado. Por que a escolha de um octeto? Antonio Adolfo:  Essa já era uma vontade de muitos anos. O último disco que havia gravado com naipe de sopros havia sido o ‘Viralata’, em 1979. Eu sempre gostei de tocar com metais. Acho que eles dão energia aos arranjos, além de uma riqueza de timbres bem grande.   PJ: Colocar um trio de metais? Você buscava uma textura mais densa para esse seu ‘novo som’ (vamos chamar assim)? AA:- Sim, além disso, era um projeto armazenado há vários anos e tinha tudo a ver com o repertório também   PJ: Como é celebrar cinco décadas a serviço da música de excelência? AA:- Não sei se foi tudo música de ‘excelência’, mas posso dizer que foi o que eu senti a cada momento de minha carreira até agora. Sempre fui sincero à minha alma musical e ao que mobilizou meus projetos.   PJ: No CD ‘Tropical infinito’ há esse resgate dos grandes grupos que conduziram bailes dos anos 1960 e 1970, das big bands. Como está escrito no release ‘³põe samba no jazz’. AA:- Sim. Nessa época (dos 1960’s) usava-se muito os naipes de metais, não só nas gafieiras, mas também nos bailes em geral ou no Beco das Garrafas, por exemplo.   PJ: Como vc fez para selecionar e escolher Benny Golson, Horace Silver, Oliver Nelson e Jerome Kern? Aliás, diga-se de passagem: ‘Wishper Not’ ficou super deliciosa para ouvir, com uma sonoridade maravilhosa, dançante! Gostei muito! AA: - Obrigado. Isso foi mais ou menos fácil, pois sempre fui fã desses compositores (e músicos) - todos tocavam com sopros em seus grupos - , além do Jerome Kern, que compôs a linda ‘All The Things You Are’, ainda nos anos 1930’s. ‘Whisper Not’ soou bem brasileira também. Aliás, sobre isso eu posso concordar e afirmar: o disco é bem brasileiro.   PJ: Quanto tempo levou para produzir o CD ? AA:- Bem, o Projeto vem de longe (talvez uns 6 ou 7 anos), mas a produção em si, até que não foi muito demorada, desde a elaboração inicial, escolha de repertório, arranjos, arregimentarão dos músicos certos para a banda, etc... Acho que se somarmos tudo foram uns 6 meses.   PJ: Foi tranqüila a procura pelos músicos de sopro que se encaixassem na proposta? Ou eram pessoas que já tocavam juntos e de repente chegou aquele dia do ‘vamos gravar’? AA:- Foi tranqüila. O Marcelo Martins (assim como o Barata, o Jorge Helder e o Leo Amuedo) já tocam e têm gravado nos três últimos discos que gravei recentemente. O Jessé Sadoc, com quem já gravei muito em naipe, é um craque e acostumado a tocar com o Marcelo ­ isso é muito bom e facilita em vários aspectos no que e refere ao entrosamento. E o Serginho, sou o maior fã dele. Apesar de não gravar muito com os outros dois, mas por ser um grande músico e arranjador, entrosou-se muito com os dois e deu um toque gingado todo especial, característico do Sr. Serginho Trombone. Foi uma delícia!!!   PJ: Outra música muito interessante de ouvir é ‘Cascavel’, que tem um misto de regionalismo com linguagem do jazz. AA: - Gostei muito do resultado com esse novo arranjo. Aquela introdução, com somente percussão, foi decidida na hora da gravação   PJ: Percebo que você tem busca apresentar composições envolventes, que levam o ouvinte a compreender e gostar de sua música. Isso é uma preocupação sua quando vc senta para compor? AA: - Acho que a melodia é super importante. E esta, em casamento com a harmonia e o ritmo ­ e, claro, o arranjo ­ fazem um conjunto bem interessante.   *Foto: Paul Constantindes
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