Convidado pela departamento de comunicação do Itaú Personalité , o editor do Paulicéia do Jazz e a convidada do blog, a jornalista Karina Monteiro, estiveram presentes no último dia 15, sábado, para prestigiar o espetáculo da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), sob regência do maestro convidado, o costariquenho naturalizado americano Jonh Nelson e a apresentação da mezzo soprano Petra Lang, onde apresentaram as obras de Robert Schumann (1810-1856) – Manfred e Sinfônia n° 2 em Dó Maior, Op. 61 – e Gustav Mahler (1860-1911) e Rückert Lieder – 5 composições belíssimas e com sua poesia forte.
A Sala São Paulo é um universo alheio ao que acontece no lado externo da praça - moradores de rua, trabalhadores braçais e vendedores ambulantes em passos apressados para embarcar no trem – Glamour, pessoas prontas e dispostas a assistir uma apresentação musical. O mais surpreso era perceber um menininho na fileira do banco de trás onde conversava bem baixinho com o pai : “Nossa, pai! Que silêncio??”.
O ambiente possui uma acústica perfeita, onde exige-se o silêncio absoluto do ouvinte. Pois qualquer ruído poderia ser fatal e desconcentrar qualquer músico ou até mesmo o regente durante a apresentação.
Jonh Nelson, entra.Todos os músicos levantam como uma forma de cumprimento ao regente. A apresentação começa com a apresentação de Manfred , composição de Robert Schumann (1810-1856) . Segundo a história, Schumman vivia um período de euforia e foi especialmente produtivo para o compositor. Após a leitura de alguns poetas, entre 1848 e 1849, depois de completar Genoveva, que o compositor concebeu a musica incidental para o poema dramatico Manfred, de Lord Byron (1788-1824). Revista em 1851, a musica e encabecada pela “Abertura”, seu trecho mais famoso.
O texto do poeta inglês, de 1817, é ambientado na Suíça e retrata o herói romantico, que rejeitava tanto o contato humano quanto o conforto das religioes. Manfred e consumido por seu sentimento de culpa por uma transgressao, que envolve Astarte, única mulher que amou, morta por sua causa.
Schumann identificava-se sempre com Manfred, esse herói atormentado pela loucura e pela morte, concentrou algo do enredo do texto de Byron na sua dramática abertura orquestral, dominada por três temas principais acompanhados de alguns motivos episódicos. Ainda que obedeca a formasonata clássica, a costura das ideias e tramada de maneira a sugerir a liberdade formal de um improviso.
A peça apresenta todo um trabalho temático baseado em climas que misturam alegria e dor. O tema de “abertura” finaliza em uma repetição de um trecho da obra de uma maneira mais calma onde caminhava ao silêncio.
Já com a entrada da mezzo soprano Petra Lang, foram apresentadas as composições de Gustav Mahler e a poesia de Rückert Lieder compostas em 1901, no auge de sua carreira, quando o músico dirigia a Opera de Viena. Cada uma e um mergulho no universo psicologico do compositor. Nos textos do poeta Friedrich Ruckert, Mahler encontrou elementos para se expressar de maneira sutil e profunda. Na primeira canção, “Blick mir nicht in die Lieder!” (Nao me Olhes nas Canções!), ele deseja esconder seu labor assim como fazem as abelhas. Em “Ich atmet’ einen linden Duft” (“Respirei uma Delicada Fragrancia”), o poeta sente a presenca da amada no galho de tilia que ela lhe trouxe, cujo aroma encarna o proprio amor.
Em “Um Mitternacht” (“A Meia-Noite”), desolado, o poeta-guardião canta sobre instrumentos de sopro da orquestra e acaba por entregar-se a mao de Deus, em uma apoteose sonora ampliada pela presenca de piano e harpa. “Liebst du um Schonheit” (“Se me Amas Pela Beleza”),orquestrada por Max Puttmann depois da morte do compositor, foi um presente do artista a sua amada, a quem recomendava ama-lo so pelo amor, e nada mais. Em “Ich bin der Welt abhanden gekommen” (“Estou Perdido Para o Mundo”), o corne-inglês desenrola um dos mais belos temas de Mahler. Ali, na voz do poeta, ouve-se a confissao de se ter afastado do mundo, para viver na solidão do seu amor, do seu céu, da sua canção.
Após a primeira parte, intervalo, todos saem para beliscar, circular pela lojinha e área de convivência. Um tempo a mais para observar melhor a beleza arquitetônica do local e em seguida uma subidinha até a sala “vip” para clientes do Itau Personalite. Durante o trajeto, eu e minha convidada, a jornalista Karina Monteiro,estavamos impressionados com a beleza arquitetônica do local e a atenção dos funcionários para avisar sobre os sinais de chamada para a entrada no recinto do espetáculo.
De volta a sala de concertos, a Orquestra apresenta a Sinfônia n° 2 em Dó Maior de Schumann, composta nos anos 1845 e 1846, foi a terceira a ser composta pelo autor onde buscava sua recuperação fisica e psiquica de uma grande crise. Esse era o primeiro grande sinal da doenca que, dez anos mais tarde, levaria-o a ser internado em um sanatório para alienados mentais no qual viria a falecer.
Boa parte dessa nova sinfonia foi concebida durante esses “dias negros” nos quais dizia sentir-se muito doente, imobilizado, presa passiva da melancolia. Por outro lado,o compositor ja se encontrava disposto a redigir o seu ultimo movimento.
Por isso que a Segunda Sinfonia ja foi tomada como uma metafórica representação da luta travada entre as trevas e a luz, reflexo do embate entre o sentimento de depressao, mais evidente nos três primeiros movimentos, e o de euforia,que o fez terminar a composição em tom vistoso, vitorioso.