“…A bossa nova e o samba são estilos básicos em todo o mundo…”
Posted on fevereiro 10, 2011 by Luis Delcides
Frase da cantora hungara Veronika Harcsa durante a entrevista ao Paulicéia do Jazz, onde conta um pouco mais sobre o aprendizado musical, o seu contato com música profissional, jazz, gosto pela música brasileira e as dificuldades dos músicos profissionais no Leste Europeu.
Toda a sexta-feira é o dia do repórter visitar vários blogs parceiros ou vou ao You Tube para ouvir músicas, gravações conhecidas ou não conhecidas para dividir com as pessoas do twitter. Ao entrar no musicolátras, do Daniel Faria, o incansável jornalista pode ler algo sobre o compositor erudito Kurt Weill e uma de suas composições bastante conhecidas no universo do jazz: “Speak Low”.Logo, durante a leitura, o repórter encontra um link com uma belissima interpretação da referida música na voz da cantora Hungara, Veronika Harsca, 28.
Muitos vão perguntar: Porque no You Tube encontra-se Harcsa Veronika? A pergunta foi feita pela reportagem e a cantora responde que na Hungria o nome da familia aparece em primeiro , em seguida, aparece o nome de batismo da pessoa. Pouca gente conhece o trabalho da cantora Hungara. O jornalista e editor deste veículo fez questão de procurar e selecionar “You don’t know It’s you” e dividiu com todos e, muitas pessoas gostaram do video compartilhado há duas sextas-feiras atrás. Mas a vontade de ir atrás, conhecer um pouco mais do trabalho da artista era maior. Logo, o repórter voltou ao Google e entrou no site da Veronika e fez contatos com seu empresário e com a cantora. Depois, Harcsa responde ao e-mail e , em seguida, seu empresário . Algumas trocas de mensagens e ela aceita ceder uma entrevista ao Paulicéia do Jazz via correio eletrônico , onde conta um pouco mais sobre o seu trabalho, estudos e conversa um pouco sobre o cenário Hungaro do jazz e da música. Segue a entrevista:
PJ: Quando você diz: “Durante seus anos de escolarização, ela foi para várias escolas de música aprender a tocar piano, saxofone e estudou canto clássico e jazz …” Com quantos anos você iniciou seus estudos de música?
VH: Quando meus pais eram crianças, suas famílias não podiam pagar aulas de música. Por isso, foi importante para que eles dão aos seus filhos a oportunidade de estudar instrumentos. Eu as aproveitei para aprender a tocar piano a partir de 7 anos de idade. Aos 15 anos mudei para o saxofone, e nesse meio tempo eu peguei cantando clássicos. Graças a minhas aulas de saxofone, eu comecei a ouvir jazz mais e mais, e fui levada pelas cantoras de jazz como Ella, Sarah ou Billie. Eu comecei a cantar jazz aos 17 anos, e fui aprovada na Academia Jazz quatro anos mais tarde. Nesse meio tempo, comecei a tocar com bandas locais cantando standards de jazz, e meu quarteto formado após o término do primeiro ano na Academia.
PJ: Descreva o cenário do jazz na Hungria? Existem muitos pubs, bares, casa de shows, teatros?
VH: Há muitos grandes clubes e locais, especialmente na capital, Budapeste. Infelizmente o jazz não é muito difundido em nosso país, porém, as estrelas do jazz internacional começam a apresentar por aqui, e bandas locais também têm oportunidades. A minha música não é restritamente jazz, mas uma mistura de jazz e estilos musicais mais populares, é mais fácil para mim do que para a maioria dos músicos de jazz húngaro. Minha banda se apresenta na maioria dos locais, não restrito a clubes de jazz, e tocamos em muitos dos festivais de verão, apesar de serem mais para bandas de rock e pop.
PJ: Como são os programas de incentivo a cultura do Estado húngaro?
VH:Eu acho que a Hungria realmente tem uma cena de grande valor cultural, com artistas muito talentosos e qualificados em todos os domínios artísticos. O Estado húngaro tem alguns programas importantes, apoiando os pontos principais, como o Palácio das Artes, a Casa da Ópera, e executa propostas para apoiar os festivais e clubes. No entanto, devido à situação de crise economica, essas iniciativas normalmente não são suficientes.Logo, o patrocínio é necessário. A maioria dos músicos húngaros precisam assumir empregos extra para fazer jus às despesas, porque os cachês de concerto não são muito elevados. Por exemplo, na minha banda eu sou o único músico que não ministra aulas de música. Meus companheiros de banda precisam dar aulas em escolas de música e aulas particulares para ganhar a vida.
PJ: Você tem quatro CD’s gravados. Qual o cuidado do produtor musical dos álbuns? Você tem preferência na realização de trios – piano, baixo e bateria – ou quarteto - adicionar guitarristas – ou outros instrumentos: saxofones, trompetes …? Depende da situação, ou o deslocamento?
VH: Speak Low foi o primeiro álbum do meu quarteto gravado quando eu terminei o primeiro ano na Academia. Neste álbum nós apenas gravamos covers e standards , pois só comecei a escrever músicas após o lançamento deste álbum. No segundo e terceiro álbuns,” You don’t know it’s you” e “Red Baggage” e as outras músicas são minhas próprias composições. No 4º álbum serão gravadas composiçoes do projeto experimental Bin-Jip. Segue o nosso video de estreia: http://www.youtube.com/watch?v=sOjXMApwKwE
No meu quarteto eu componho e produzo as canções.Já , no Bin-Jip as composiçoes são escritas e produzidas em conjunto.
O set up da banda depende sempre das circunstâncias musicais e técnicas . Minha banda básica é um trio clássico (piano, baixo, bateria) e eu. Em nosso último registro achei importante acrescentar guitarra na maioria das faixas. A adição de metais é só para os álbuns.
PJ: Você já ouviu falar dos compositores brasileiros? O que você mais gosta? E os músicos brasileiros? O que você sabe?
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Jazz é um constante na noite de Budapest. Aqui no Rio não mais.
Pena.
Eu tenho o prazer de poder ouvir Veronika… Moro em Budapeste e gosto muito.
Oucam a musica Too Early. Uma das minhas prediletas…