
Reteté Big-band: foto: Luís Delcides
Subidas e descidas, curvas e ruas bastante arborizadas. No meio dos caminhos ermos, escuros e com iluminação difusa, encontra-se o Teatro da Vila, escondidinho do lado da Praça pôr-do-sol no bairro da Vila Madalena em São Paulo. Algumas pessoas estavam lá para apreciar o som da Reteté Big-Band, liderada pelo contrabaixista Thiago Alves e arranjos e composições de Paulo Malheiros.
O som começa às 21h05, esbarrei do lado de três fotojornalistas. Mas dessa vez não consegui trocar algumas palavras para saber de qual veículo eles eram. Mas estavam a trabalho e apreciavam um bom som. Na platéia presente o jornalista e blogueiro Sérgio Pavarini, um sujeito que faz história com seu espaço de crítica e pensamento sobre os absurdos cometidos pela Igreja Evangélica Brasileira, ou, como diz um amigo meu, a “crentolândia”.
Uma apresentação excelente e um som de primeira feito por caras corajosos, que a cada dia assumem uma postura corajosa de “romper” com os parâmetros da instituição religiosa e seguiram por este mundo a fora para fazer arte.

Thiago Alves - foto: Luís Delcides
Alves, conta durante a reportagem do Paulicéia do Jazz sobre o início da Reteté. ” Era um grupo que tocava nas igrejas”. Mas a deficiente cultura músical evangélica, onde o “mainstream” gospel não permite os ouvidos crentes apreciarem uma música elaborada ou outros sons interessantes, os artistas decidiram fazer som fora do templo.
Enfim, Reteté é um exemplo de libertação dos ranços da “crentolândia” e uma reunião de batalhadores em nome da arte.
Enquanto os maestros das ”furiosas” e “ministros de música” enfiam piano, guitarra, violão para um “salve-se quem puder” durante a execução musical num grupo ou big-band , na apresentação de ontem foi possível apreciar um som limpo, agradável e uma base segura com uma “cozinha” formada por contrabaixo, guitarra e bateria.
Reteté faz sua história além dos limites do culto-clero-templo. É gente que saiu do sábado e decidiu encarar a arte na essência, sem muros e regrinhas medíocres impostas pelo “mainstream” institucional.

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