Domingo de encontros e despedidas. Ao entrar no parque do Ibirapuera, muitas crianças e jovens brincavam na grama e do outro lado,próximo ao obelisco, um ensaio de uma fanfarra.Algumas pessoas corriam atrás de ingressos no audiório e Marcia Duarte, com toda a sua atenção e simpatia, corria para acertar os detalhes da terceira e última apresentação do Trio +1 que aconteceria às 19h00 no Auditório Ibirapuera, uma das mais modernas e excelentes casas de espetáculos da cidade de São Paulo.
Meia-hora antes, Sérgio Reze, baterista do grupo, conversa um pouco sobre a apresentação do sábado, o som e os ajustes com os outros músicos.Em seguida, chegam os músicos: Joatan Nascimento, trompetista e o pianista Benjamim Taubikin para atender a reportagem do Paulicéia do Jazz e contar um pouco sobre a gravação e a formação do conjunto.
Pianista
“Conheci o Sérgio desde 1997. Mas nunca toquei em trio”, disse Benjamin Taubikin,de formação autodidata – não teve formação academica em música, e um ouvinte atento de música erudita – sobre a sua resistência sobre as formações em trio(piano, contrabaixo e bateria) por interferir em seu estilo de execução do instrumento. “É dificil um baterista ou um contrabaixista, dentro do padrão standard ‘baixar a bola’”,disse o pianista sobre as suas tentativas de formar trios com outros instrumentistas .
No ano de 2005, Taubikin juntamente com Reze e Zeca Assumpção (contrabaixo) começaram a tocar em trio. “Gostei muito do jeito de tocar do Sérgio e do Zeca e percebi que nenhum dos dois tem o jeito formatado de tocar dos outros músicos”, disse o pianista.
Após a apresentação na cidade de Salvador-BA,em 2007, onde o trompetista Joatan Nascimento tocou como músico convidado do trio, Benjamim, Zeca e Sérgio gostaram tanto da performance de Nascimento e fizeram o convite para integrar ao trio. Logo, o grupo passou a ser chamado de trio +1.
Baterista
Sérgio Reze não vem de uma familia musical, mas a música foi algo forte na sua infância. ” Um despertar, procurar…”, disse o baterista onde estudou durante três anos com Zè Eduardo Nazário e depois foi para o Musicians Institute na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, onde fez um curso de um ano e teve aulas com Murrey Spivok.
Na volta ao Brasil, Reze atuou com vários músicos como Paulinho da Viola, João Bosco, Monica Salmaso, Zélia Duncan, Ceumar, Dominiguinhos, Orquestra Popular de Camara, Arnaldo Antunes , Ney Matogrosso, Ivan Lins, entre outros.
Reze é um baterista diferenciado. Há uma sutileza, leveza no toque e um respeito a dinâmica. Não é o baterista do cha-com-pão-cha-com-pão, mas é o músico onde transmite os efeitos melodicos que um instrumento percussivo pode fazer ao ouvido humano.
Trompetista
Joatan Nascimento, nasceu em Maceió-AL e em 1987 mudou-se para a cidade de Salvador-BA, onde fez a sua graduação, pós-graduação e doutorado em execução musical/trompete pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
O trompetista é membro da Orquestra Sinfônica da Bahia e do grupo de câmara, Quinteto de Metais e integra os grupos Orquestra Rumpilezz e Jurassik Quartet. Joatan já tem um disco solo gravado Eu choro Assim pelo selo Maianga Discos produzido por Roberto Santana e premiado com o Troféu Caymmi 2001/2002 na categoria Melhor Disco Instrumental.
Em 2003, o trompetista foi indicado para a categoria Revelação do Prêmio TIM de Música. Cinco anos depois, 2008, ao lado de Serginho Trombone e dos companheiros do Jurassik Quartet, realizou um tributo ao trompetista Marcio Montarroyos, no PIRIJAZZ – Festival de Jazz de Pirenópolis (GO).

Benjamim Taubikin (em pé), durante apresentação no palco - Foto: Luís Delcides
O show
Durante a conversa com os três músicos do Trio +1, Benjamim precisou sair para os dez minutos de silêncio necessários antes da apresentação. Avisos, chamadas, alertas de tempo eram transmitidos por uma das produtoras da Nucleo e a platéia estava a espera da entrada dos músicos no palco.
O grupo começa a tocar e o som chegava limpo as pessoas da platéia. Os músicos estavam bastante seguros durante a apresentação e todas as entradas, mudanças e dinâmicas aconteceram com muita firmeza. Além das belissimas músicas do jornalista, violonista e baterista Amado Maita, falecido em 2005, e os arranjos impressionantes de Taubikin e a ousadia em juntar um grupo de percussão, rap e a formação clássica do Jazz – piano, contrabaixo, bateria e metais.

Clima de despedida dos grupos participantes da apresentação no Auditório Ibirapuera - foto: Luís Delcides