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Mike Stern apresenta “Big Neighborhood” no Bourbon Street

 

Mike Stern - foto: divulgação

Mike Stern - foto: divulgação

Nesta quarta-feira, 8/9, às 22h30, o guitarrista Mike Stern apresenta a sua ideia de coletividade no palco do Bourbon Street Music Club e tocará as músicas de seu novo trabalho “Big Neighborhood” onde trabalhou com uma equipe grande e diversa para o novo álbum.

“Música é como um grande bairro – um lugar onde tudo pode acontecer”, explica Stern. “Você consegue achar todo o tipo de coisas em um grande bairro – todo tipo de gente, todo tipo de ideias, perspectivas diferentes, e claro, todo tipo de sons.” No disco, há participações de Steve Vai, Eric Johnson, Esperanza Spalding, Richard Bona, Randy Brecker, Medeski Martin & Wood, Cindy Blackman e outros.

 Serviço:

 Dia: 08 de setembro de 2010

Horário: 22h30

Couv. Art: R$65 até o dia 06/09 e depois R$ 75

Local: Bourbon Street Music Club – Rua dos Chanés, 127 – Moema

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Artur Menezes e as canções bluseiras no Syndikat

 

Nesta sexta-feira, 06/8, às 23h00, o guitarrista Artur Menezes apresenta o bom e velho blues no palco do Syndikat  Jazz Club e estará acompanhado dos músicos Klaus Sena (contrabaixo) e Felipe Maia (bateria). Durante a apresentação, Menezes contará com várias participações especiais.

O bar está localizado  na Rua Moacir Piza, 64, Jardins. Couvert Artisitco R$ 15,00.

mai
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Flávio Barba: Novos videos do seu último trabalho “Novos Ares”

Flávio Barba - foto: divulgação

Flávio Barba - foto: divulgação

Música boa, bons músicos e quatro videos interessantes do guitarrista, arranjador e compositor Flávio Barba. Residente no ABC e com dois trabalhos gravados, o guitarrista disponibiliza para você, caro leitor que aprecia a boa música instrumental quatro novos videos. Segue os Links:

“Batida Diferente” – Durval Ferreira -Gravado no Ao Vivo Music, Flávio Barba está acompanhado dos músicos: Márcio Roldan (teclados), Lucas Rogério (contrabaixo) e Hélio Ishitani (bateria)

http://www.youtube.com/watch?v=GAStr9WeyKA  

Guataca City” -  Flávio Barba (guitarra), Márcio Roldan (teclados), Lucas Rogério (contrabaixo) e Edu Guarinon (bateria)

http://www.youtube.com/watch?v=Cx00237GsKk&feature=related

“Wes Pressão” -  Flávio Barba (guitarra), Márcio Roldan (teclados), Lucas Rogério (contrabaixo) e Edu Guarinon (bateria)
“Somos todos iguais nesta noite” – Ivan Lins/ Vitor Martins – interpretação do guitarrista Flávio Barba acompanhado dos músicos: Márcio Roldan (teclados), Lucas Rogério (contrabaixo) e Edu Guarinon (bateria)
abr
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Michel Leme: música sem “interferências”

Michel Leme - foto: Luís Delcides

Michel Leme - foto: Luís Delcides

 ”Toquemos mais”, essa é a frase mais proferida pelo guitarrista e compositor Michel Leme onde lança o seu novo CD  ”5º”  recentemente gravado com dois bateristas  – Wagner Vasconcelos e Bruno Tessele – e Bruno Migotto no contrabaixo completa o grupo de músicos.

Trabalho novo e diferente. No encarte do CD, uma nova proposta  gráfica. Já, no CD, é possível apreciar a pureza do som dos  instrumentos, sem overdubs e excesso de efeitos.Assim, Michel busca cada vez apenas apresentar a verdadeira essência musical, sem firulas e mandos e desmandos da indústria cultural e do mainstream.

Nesta entrevista, a segunda pelo Paulicéia do Jazz, Leme fala sobre a concepção do “5º”, sua experiência em tocar como “sideman” dos artistas de massa, música instrumental e a busca por novas possibilidades de apresentação. Segue as perguntas e mais uma vez, para quebrar as regras, o editor do blog , resolveu publicá-la na integra: Pergunta e resposta, sem censura e recortes.

1198_newsPaulicéia do Jazz: Como surgiu a idéia de gravar o “5°” com dois bateristas?

Michel Leme: Fiz uma sessão em trio, com o Bruno Migotto e o Waguinho Vasconcelos, no Estúdio Cantareira em 17/9/2009, captada pelo técnico Ricardo Marui. Dessa sessão aproveitei duas músicas que estão no CD: “3 Notas” e a faixa bônus em vídeo “Blues de Ocasião”. Depois dessa, fechei a data 30/10/2009 pra gravar a segunda sessão no auditório da EM&T. Faltando uma semana, eu tive a idéia de chamar o Bruno Tessele, baterista que já conhecia a maioria das músicas porque estava conosco na fase inicial desse trabalho, já com o Migotto no baixo inclusive.

Quis duas baterias pela massa sonora e pra experimentar, porque nunca havia feito até então. Isso pode ser considerado até um diferencial, já que poucos gravaram com essa formação nesse tipo de som no Brasil. Mas, para mim, importa o som. E um fato interessante: o Waguinho e o Tessele não se conheciam; conheceram-se apenas no momento de gravar. Por isso, o que se ouve é fruto do momento mesmo: todos tocando, se ouvindo e reagindo, sem nada combinado previamente.

PJ:  Mais uma vez foi possível perceber a pureza do som dos instrumentos ao ouvir a gravação e não ter tantas interferências daqueles efeitos mascarados” de gravação. Como é gravar um CD no auditório e não no estúdio?

ML: Esse disco foi mixado e masterizado pelo Flávio Tsutsumi e por mim. Fiquei muito satisfeito com o som também. E, de fato, não tem nenhuma interferência de efeitos: o que se ouve é o som natural que aconteceu nas salas onde gravamos, sem maquiagens. E, ao contrário da maioria dos CDs feitos hoje, você pode aumentar bastante o volume que não terá a sensação de ter algo estourando. Faça a experiência.

Para mim não tem nenhuma diferença gravar num estúdio ou num auditório, porque o processo é sempre o mesmo: todos tocam juntos, ao mesmo tempo e sem correções posteriores. É ao vivo realmente, só que, no caso, sem platéia. Para mim esse método é muito mais propício para que a música aconteça.

PJ:  Interessante ver a capa do CD ,criada pela artista Cinthia Crelier e a forma como foi escrita o encarte. É a sua letra? E de onde surgiu a ideia de escrever com a sua própria letra? Fale um pouco da artista que fez a aquarela.

ML: A Cinthia é uma amiga cuja casa freqüento com a minha família há doze anos. Sempre gostei das pinturas dela e combinamos desde o Michel Leme & A Firma, o CD anterior, que este disco teria na capa algum trabalho dela. Então, para que ela pintasse a capa, enviei a mix (que é o que tinha no momento) pra que ela ouvisse o som enquanto pintava. Fiquei muito feliz com a possibilidade da coisa ser feita assim e acho belíssima a aquarela.

Fiz a arte do CD junto com o Flávio Tsutsumi também e a letra que se lê no encarte, na capa e na contracapa é a minha mesmo. Estava querendo fazer isso há algum tempo, acho bonito e gostei muito de ver como ficou; é uma “fonte” caseira; imperfeita, mas única.

PJ: Muito legal ver as dedicatórias a cada música que você compôs: “3 notas” – “para todos que entram em contato comigo”, “Samba dos Excluídos”, para todos que fazem arte de forma sincera” e “Ananda Moy

Da esquerda para a direita: Alexandre Mihanovich(contrabaixo), Arismar do Espírito Santo (bateria)- ao fundo, Sidmar Vieira(trompete) -ao centro e Michel Leme (guitarra), no canto direito no Jazz nos Fundos em  3/4/2010  - foto: Luís Delcides

Da esquerda para a direita: Alexandre Mihanovich(contrabaixo), Arismar do Espírito Santo (bateria)- ao fundo, Sidmar Vieira(trompete) -ao centro e Michel Leme (guitarra), no canto direito no Jazz nos Fundos em 3/4/2010 - foto: Luís Delcides

 Ma” – “para os buscadores da verdade(que está acima das religiões)”. Fale um pouco sobre essas dedicatórias.

ML: Acho legal, em algumas oportunidades, trazer algo a mais para a música que está gravada dedicando a alguém.

De fato, a única composição que já nasceu dedicada foi “Ananda Moy Ma”. Esta música nasceu ao vivo, foi composta na hora, numa das primeiras transmissões da TV Cia da Música, no que viria a ser o Programa Michel Leme & Convidados. Foi uma experiência maravilhosa. A dedicatória, além da própria homenagem à santa da Índia que está no título, é para as pessoas que buscam a evolução.

Quanto ao “Samba dos Excluídos” e à sua dedicatória: se você é realmente sincero no que faz, sem fins puramente mercantilistas, automaticamente está excluído do que as pessoas julgam ser “O” meio artístico. E, de minha parte, adoro ser um excluído nesse sentido! Acho digníssimo fazer parte do que chamam ‘underground’ e estar fora, conscientemente, do mainstream. Estar fora dessa sujeira que é a Indústria Cultural e todo e qualquer esquema de massificação é uma bênção. Não faço música pra servir de fundo musical e/ou agradar a quem quer que seja; não procuro me “adequar”; não me associo aos que fazem uma musiquinha de mentira para inserir-se; escolhi dormir tranquilo todas as noites e ser livre pra tocar o que acredito.

“3 Notas” é uma das composições mais recentes e rápidas em vários sentidos: nasceu rapidamente e tem um andamento bem rápido. Dediquei às pessoas que curtem o som e entram em contato pela internet, trocando idéias que me ensinam muito. Minha homenagem e agradecimento a elas.

PJ:  Por que essa frase final “Eu sou tudo o que você achar que sou”, Ananda Moy Ma ?

ML: A primeira vez que li algo sobre Ananda Moy Ma foi no livro “Autobiografia de um Iogue” de Paramahansa Yogananda. Num capítulo, ele narra encontros que teve com ela, a quem ele descreve como “saturada de bem-aventurança”. Depois, li esta frase atribuída a ela “eu sou tudo o que você achar que sou” e achei muito bela, por ter um significado que responde a questões como “o que esperam ou pensam de mim?” e coisas do tipo. A preocupação com o que os outros pensam a respeito da gente é uma grande besteira que só nos limita e confunde. Por isso fiz questão de destacar essa frase, ela traz um conteúdo libertador.

PJ:A lista de agradecimentos é bem interessante e tem a sua cachorrinha Pitty” e o Celso Childs, o cara que sabe usar as palavras, o “Leão-Brilho”. Normalmente os encartes são tão formais e vc simplesmente “quebrou” paradigmas. Como foi a ideia?

A Pitty é nossa cachorra amiga há dois anos e pouco. Quem tem um cachorro sabe que é assim, eles se tornam nossos amigos queridos. Então, achei natural agradecê-la. E ela gosta muito de música também; se está rolando um som ela chega, deita e relaxa – e, assim, acaba ouvindo coisas muito boas!

Celso Childs é uma inspiração para vários amigos músicos e para mim também. É um cara que tem o dom da poesia e que adora o jazz em todas as suas formas. Ele é meio retirado e misterioso, mas merece o agradecimento.

PJ :Pude conhecer muitos músicos neste um ano de blog. E vejo em você um cara corajoso onde teve a oportunidade de atuar como “sideman” de artistas populares e teve a ousadia de romper com a forma e os padrões musicais estabelecidos pela “indústria cultural” onde passou a simplesmente a tocar pelo prazer de fazer a arte de verdade. Conte um pouco dessa sua importante decisão corajosa

ML : Não há heroísmo algum, Luis. Apenas conheci o lado dos “artistas” do mainstream que são contratados de corporações multinacionais e, portanto, aceitam colaborar com o jogo da massificação. Aí escolhi o outro lado, que é o dos artistas que tocam música pelo simples prazer de tocar. O prêmio ou objetivo para o músico consciente é simplesmente tocar. Depois que entendi isso, continuei com minhas aulas para sobreviver e, quando vou tocar, tem que ser música! Música-arte como diria o Heraldo do Monte.

PJ:  O que você, como músico , faria para incentivar a garotada a ouvir música instrumental? Você é a favor das aulas de apreciação musical nas escolas, seja da rede pública ou privada?

ML: A molecada que tem como entrar na internet é muito esperta. Eles vão conhecendo coisas pela curiosidade e vão filtrando de acordo com o gosto. Vejo isso pela minha filha. Mas, enfim, quando se tem a oportunidade de comer, estudar e se informar é mais tranquilo.

O real problema está com a grande maioria da molecada que não tem as mínimas condições ou perspectivas de vida. Acredito que temos que arrumar vias cada vez mais descomplicadas (sem esperar ajuda do sistema) pra levar a música até essas pessoas. Aceito sugestões, por favor.

Alguns chamam a música instrumental de “elitista”, porque, além de ignorar a própria música, ignoram que estão apenas fazendo o jogo do sistema, afastando as pessoas e a si mesmos da possibilidade de vivenciar manifestações artísticas diferentes do “mesmo de sempre” que se vê na tv, no rádio etc. A experiência desmente imediatamente este pensamento equivocado que liga a música instrumental às elites: as pessoas, mesmo as que têm menos grana, ouvem o som, entram na viagem, e, depois, quando é possível trocar idéias, demonstram que captaram o espírito da coisa – muitas vezes com um grau de profundidade muito maior do que os meninos “ricos” e “estudados” da elite captam.

Respondendo a segunda parte da pergunta: sou a favor das aulas de apreciação musical nas escolas em todas as redes. Só que isso nunca vai deixar de ser mais uma esmola do Estado, porque a deseducação do esquema de massificação e dominação vai continuar no dia-a-dia. Existem questões anteriores à educação musical nas escolas, tais como: promover uma distribuição de renda mais justa, melhorar o próprio sistema de ensino etc. A discussão sobre a educação musical nas escolas, por enquanto, só serve pra distrair-nos; enquanto isso, o capital segue atropelando a todos, sem misericórdia.

 

 

PJ:. Como é apresentar música instrumental para as pessoas de camadas mais humildes? Já teve alguma experiência assim? Conte alguma:

 ML: Já toquei em vários lugares esquecidos pelo poder e sempre é enriquecedor. A música já fala por si só, mas quando as pessoas são tratadas com igualdade, a relação entre quem está tocando e quem está ouvindo flui de maneira muito mais saudável.

Com isto quero dizer que o artista deve se aproximar das comunidades, cultivando uma relação sem máscaras (sendo acessível, sem afetações), e, principalmente, sem querer demonstrar poder com efeitos pirotécnicos, telões, danças apelativas etc. Ou seja, deve fazer música simplesmente, sem as distrações das grandes produções bancadas por multinacionais que visam apenas e tão somente o lucro. O músico não está pra ser adorado; ele está para fazer música e, desta forma, relacionar-se com o coletivo, fazendo o que lhe dá prazer e trazendo cultura à sociedade. A quem escolheu estar ali pra ouvir, resta simplesmente dar-se a oportunidade de ouvir. Estabelecido esse equilíbrio, daí em diante é viver o momento.

Insisto no óbvio, mas que está completamente esquecido na prática: música é pra ouvir e pra tocar.

A Indústria Cultural conseguiu inverter os valores nesse campo, porque precisa de peças substituíveis no seu esquema de produção contínuo. Ela, através da manipulação (comprando a mídia e impondo comportamento e tendências através dela) conseguiu fazer com que os seus marionetes (“artistas/celebridades”) fossem cada vez mais alta e rapidamente rentáveis e, principalmente, substituíveis. Acaba uma modinha, começa a próxima; e assim, sucessivamente.

E ninguém questiona isso porque não tem tempo e nem energias – os baixos salários obrigam a massa a trabalhar mais e a buscar cultura e lazer de menos; o modo de vida imposto pelas classes dominantes suga-nos até a última gota de vida – e nem recursos pra analisar o que está acontecendo de fato – certas leituras, por exemplo, são escondidas e/ou demonizadas para evitar a conscientização.

Michel Leme (guitarra) , Wagner Vasconcelos (bateria)  e Bruno Migotto (contrabaixo) - foto: Luís Delcides

Michel Leme (guitarra), Wagner Vasconcelos (bateria) e Bruno Migotto (contrabaixo) - foto: Luís Delcides

PJ:  Pretende apresentar o seu trabalho fora do Brasil como festivais de Jazz pela Europa e América Latina (Cuba, Barquismeto e outros…)? Há alguma coisa em vista?

ML: Quero muito! Mandaremos material para alguns festivais também e aguardaremos convites e condições dignas para viajar e tocar.

 
Michel Leme - foto: Luís Delcides

Michel Leme - foto: Luís Delcides

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Domingo de manhã: dia de feira e da “sagrada música”

Michel Leme, Wagner Vasconcelos e Bruno Migotto - foto: Luís Delcides

Michel Leme, Wagner Vasconcelos e Bruno Migotto - foto: Luís Delcides

Nos dois primeiros domingos de “sagrada música”,o guitarrista e compositor Michel  Leme trouxe Wagner Vasconcelos, Abner Paul e Bruno Migotto. Além das canjas de Richard Metraion durante as belissímas manhãs dominicais onde pessoas vão a feira livre e aproveitam para apreciar um pouco de ótima música acompanhados de uma ótima degustação de um pastel e caldo de cana.Logo, neste domingo, 11/4, a cantora e flautista Elizabeth Woolley apresentará várias canções nacionais e será acompanhada por Leme e Djalma Lima na guitarra.

Michel Leme, Elizabeth Woolley(Guzzi) e Djalma Lima - Créditos: Luís Delcides (foto1)  e Divulgação

Michel Leme, Elizabeth Woolley(Guzzi) e Djalma Lima - Créditos: Luís Delcides (foto1) e Divulgação

Woolley acaba de lançar seu segundo CD, “Infindável” e o formato de apresentação deste domingo com certeza será o primeiro de muitos que acontecerão nos próximos dias.

O “sagrada música” acontece um domingo sim e um domingo não, ou seja: de 15 em 15 dias.

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Michel Leme e os sons da semana

Michel Leme - foto: Luís Delcides

Michel Leme - foto: Luís Delcides

Segue as dicas de apresentações e participações especiais do guitarrista nesta semana. Vejam:

quarta-feira, 24/3, às 20h00 -  Michel Leme e Bruno Migotto no Venegas Music
O guitarrista toca, conversa com os internautas e mostra seu mais novo trabalho, o CD “5°”. Assista ao vivo e participe!Acesse o site:  www.justtv.com.br

quarta-feira, 24/3, às 00h00 -  Kaoll & Lanny Gordin no Studio SP
Lançamento do CD “Auto-Hipnose” com participação de Michel Leme.
O espaço está localizado  na Rua Augusta, 591. Info: (11) 3129-7040.

sexta-feira, 26/3, às 19h00- Festival IB&T na EM&T  – Glécio Nascimento convida Michel Leme e Abner Paul. A escola está localizada na  Avenida Afonso Pena, 289 – Embaré, Santos.

sábado,27 /3, às 15h00 - Michel Leme na Virtuose
Às 15h, na Rua São Bento do Sapucaí, 137 (ao lado da estação de Metrô Guilhermina-Esperança). Informações: (011) 2684-5465.

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Michel Leme e os sons da semana

Michel Leme - foto: Luís Delcides

Michel Leme - foto: Luís Delcides

Segue as dicas de apresentações desta semana do guitarrista. Vejam:

quinta-feira 18/3, às 19h00

Quinta Rock
“Michel Leme, professor do IG&T, apresenta duas atrações: VISIBLE BRA (tocando The Who, Deep Purple, Metallica e mais) com Katy Freitas (vocal), Gabi Suyama (guitarra), Ray Paes (baixo) e Marcela da Ponta (bateria); e BORN AGAIN (tocando Black Sabbath) com Abdalla Killsam (vocal), Michel Leme (guitarra), Bento Araújo (baixo) e Ivan Scartezini (bateria). Às 19h, no Auditório Mix Music Hall, na Av. Eng. George Corbisier, 100. Convites em troca de 2 quilos de alimento não-perecível pelo telefone (11) 5012.2777.” – Divulgação EM&T.

sexta-feira 19/3, 18h00

Workshop na UniSant’anna
Apresentação solo e workshop com Michel Leme.
 endereço: Rua Voluntários Da Pátria, 421.

sexta-feira 19/3, às 00h00 – Kiko Muller, Michel Leme, Fábio Zaganin e Paulo Zinner no Estação Bar: Rua Augusta, 430.

sábado, 20/3, às 15h00  – Workshop com Michel Leme na In Concert Academia de Música
Som e bate-papo com o guitarrista Michel Leme. Participação especial do luthier Sergio Buccini. Local: Rua Jesuíno Arruda, 548 – Itaim Bibi. Informações: (11) 3167 7976 e 3168 8968.

sábado, 20/3, Às 21h00  – Michel Leme Trio no Bar DuJuZé
Com Robson Passos e Abner Paul. Às 21h, na Rua Itapicuru, 887 – Perdizes. Sem couvert artístico. Tel: (11) 3871-9113.

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Domingo: dia de fazer a feira e da “Sagrada Música”

Michel Leme - foto: Luís Delcides

Michel Leme - foto: Luís Delcides

Através da música é possível fazer  poesia sem palavras. Dessa forma, Michel Leme (guitarra), Bruno Migotto (contrabaixo) e Wagner Vasconcelos (bateria), estarão neste domingo, 14/3, à partir das 11h00 em frente ao espaço Sagrada Beleza para apresentar o melhor das composições dos grandes mestres da música instrumental internacional e brasileira.

Um som para toda a família e  amigos.Aproveite e deguste um ótimo  caldo-de-cana e um delicioso pastel de feira ao som da boa música.

serviço:

Sagrada Beleza
Rua João de Sousa Dias, 494 – Campo Belo.

 

 

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Diego Figueiredo apresenta composições de “Vivência” no Auditório Ibirapuera

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 Diego Figueiredo - foto: Luís Delcides

Diego Figueiredo - foto: Luís Delcides

 Nesta sexta-feira,05/03 ,às 21h00,  o guitarrista,  violonista, arranjador  e produtor musical Diego Figueiredo apresentará as músicas de  seu álbum, “Vivência”, gravado pela Biscoito Fino, e terá a participação especial do pianista e compositor André Mehmari  no palco do Auditório Ibirapuera

Figueiredo nasceu em  Franca, cidade do interior de São Paulo, e vem se consagrando no mundo todo como um dos grandes fenômenos da guitarra. Já foi premiado duas vezes pelo Montreux Javivenciazz Festival (2005 e 2007), tocou em mais de 40 países e tem entre seus admiradores nomes como George Benson, Al Di Meola e Pat Metheny.Recentemente, o instrumentista  produziu e arranjou o álbum duplo “As varias caras de Drummond” em que Belchior musicou os poemas de Carlos Drummond de Andrade.

 Serviço:

Data: dia 05 de março de 2010
Horário: sexta, às 21 horas
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação Indicativa: Livre

AUDITÓRIO IBIRAPUERA

Capacidade: 800 lugares
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 2 do Parque do Ibirapuera.
Informações: info@iai.org.br
Informações: 3629-1014 – Marina/ 3629-1075 – Luciana
Site: www.auditorioibirapuera.com.br

Ar-condicionado. Acesso a deficientes. Proibido fumar no local.

Estacionamentos / Transporte:
Estacionamento Zona Azul – R$1,80 por duas horas. Dias úteis das 10h00 às 20h00, sábados, domingos e feriados das 8h00 às 18h00.
Ônibus: Estação da Luz – Linha 5154 – Terminal Sto Amaro / Metrô Brás – Linha 5630 – Jd. Eliana / Metrô Ana Rosa – Linha 675N – Terminal Sto. Amaro – Linha 677A – Vila Gilda – Linha 775C – Jd. Maria Sampaio / Metrô Vila Mariana – Linha 775 A – Jd. Adalgiza.

Horários da bilheteria do Auditório Ibirapuera:

NÃO ABRE SEGUNDA-FEIRA
Terça a Quinta: das 9h às 18h
Sexta e Sábado: das 9h às 21h
Domingo: das 9h às 18h
Ingresso em casa e pontos de venda:
Sistema Ticketmaster, pelo site www.ticketmaster.com.br  ou 11 2846-6000.

Formas de Pagamento: Visa, Amex e Mastercard, todos os cartões de débito e dinheiro. Não aceita-se cheques.

Meia Entrada:
- Estudantes: apresentar na entrada Carteira de Identidade Estudantil.
- Professores da Rede Estadual, Aposentados e Idosos acima de 60 anos: apresentar RG e comprovante.
- Menores de 12 anos, acompanhados pelos pais, têm direito a 50% de desconto do valor da inteira, quando Censura Livre.

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Mihanovich: experimentações e a musicalidade sem barreiras

Teatro, criatividade, boêmia, jazz eram elementos presentes na vida de seus pais. A arte e a música sempre estiveram por perto do guitarrista, arranjador, compositor e produtor e CEO (Chief Executive Officer) da Mendigo Records, Alexandre Mihanovich,45,onde começou estudar bateria com o professor Chumbinho no Centro Livre de Aprendizado Musical-CLAM. Porém, o guitarrista descobriu a sua fascinação pela guitarra após ver um hippie tocar violão sentado na plataforma da rodoviária de São Sebastião, durante as suas viagens para Ilha Bela.

Mendigo Records

“Onde houver dinheiro, haverá corrupção”, declara o músico. Logo, Mihanovich não quer dizer no sentido de crime, mas no mal uso da moeda e na sua imposição. Para gravar, chamar músicos, técnicos e produzir um disco num estúdio é preciso de verba financeira, e para reaver o dinheiro tem que vender muito. Graças a esse sistema, todo o mundo da arte e da música, a meu ver, está corrompido além de qualquer salvação

 

“O planeta se transformou numa enorme “firma” onde não há mais pessoas, mas sim “produtos” que precisam se “vender” para obter “lucro”. Toda a linguagem é a linguagem da firma, da corporação, e todas as áreas da vida forma inundadas por essa ideologia, logo como fazer música, ou qualquer arte, realmente sem compromissos, livre e criativa? O que existe hoje no mundo é só uma aparência suficientemente convincente de arte e de música, mas uma análise superficial já mostrará que é apenas comércio, e ainda mais, que só o que pode existir hoje é o comércio, pois a economia de escala impõe vendas monstruosas, ou a “firma” vai à falência.”, disse o guitarrista.

 

“Quanto mais a firma tenha que vender, mais popular a música deve ser.”, disse o guitarrista sobre o efeito do capital sobre a música . Para Mihanovich, ao tentar fazer uma gravadora de qualquer formato perceberá a existência de um único caminho onde é seguido pelas grandes e pequenas empresas.

Durante conversas com o músico Benjamim Taubikin, num restaurante em São Paulo, Alexandre entendeu mais ou menos o funcionamento do processo onde o fim cai sempre no mesmo lugar: O bottom line - a venda.

“Sem lucro não há negócio, e a arte hoje, assim como tudo o que existe, foi transformado exclusivamente em negócio. Apenas negócio. A música sempre foi negócio, já sabemos, mas era “também” negócio, e haviam outros caminhos, mais livres, mais revoltados, pois uma gravadora podia existir com um mercado pequeno de amantes daquela arte específica. Hoje ninguém consegue subsistir sem vender um zilhão de cópias, a menos que conte com o “apoio” de alguém. (É sabido que o que mantém a música clássica é a música pop). Aprentemente na época mais livre da história, com a internet e tudo mais, na verdade só há um caminho, na minha opinião porque as cabeças são uma só, as idéias são as mesmas e seguem as mesmas regras, variando apenas a aparência.”, disse o músico.

Para o guitarrista a era mais “diversificada” é, na verdade, a mais reacionária e “diversificada” é unificada numa única ideologia com várias caras. A decisão de Alexandre foi: Tirar o dinheiro. “Quem é mais livre que o mendigo?”, indaga o guitarrista. Parece poético a visão do músico com relação a formatação de uma gravadora.

Enfim, surge a Mendigo Records, onde em seu começo “vendia” CD’s e iria contra os princípios de Mihanovich. Hoje a gravadora não vende,apenas dá, sem custo algum as músicas e os arquivos podem ser baixados no site da mendigo.

“Esse é o sistema que eu imaginei; fazer música livre e dar de graça, e as pessoas que quiserem ajudar, dão esmolas e doações. Mas mais uma vez dei de cara com o velho sistema. Pra receber doação pelo PayPal, por exemplo, tem que ter cartão de crédito, e eu não tenho, e aí mais uma vez se vê o sistema te empurrando praquele único caminho. O resultado musical foi excelente, mas quase invisível, e isso não foi nenhuma surpresa pra mim.”, disse Mihanovich.

Alexandre considera as músicas dos 12 CD’s produzidos pela Mendigo de ótima qualidade, mas poderia ser mais criativa e livre. Grandes artistas como Alex Buck, Michel Leme, Arismar do Espírito Santo, Thiago do Espírito Santo, Thiago Alves estão no “casting” da gravadora .

“A coisa mais experimental que eu fiz foi o disco de trio com o Arismar do Espirito Santo de bateria e o Tiago do Espirito Santo de baixo, onde tocamos o que viesse na mente por 40 minutos. Isso foi interessante, mas precisaríamos fazer muito mais disso. Treinar a nossa própria liberdade, que pensamos ter, mas não temos.”, disse o guitarrista.

Segundo Mihanovich, não houve qualquer interesse da mídia e ele não sabe o que dizer pois se considera um péssimo publicitário. ” Fiz música pra propaganda minha vida toda, mas não sei nada de como propagar uma idéia. E não acho que é uma idéia viável pro “sistema” vigente. Será interessante, mas apenas como experimentação, ou algo curioso e amador que “esses caras” fazem no porão de um amigo, nada mais. O interesse das pessoas pela idéia é tremendo, o que mostra que está todo mundo realmente de saco cheio da globalização e de toda essa balela corporativa. Mas estamos presos.”disse o músico.

 

Música instrumental?

“Puxa Vida,Perguntas complexas ! “,disse Mihanovich sobre a musica instrumental paulistana. O guitarrista devolve duas perguntas onde cabe uma reflexão para todos os paulistanos e brasileiros apreciadores da música: ” O que é música instrumental? É apenas música sem voz?”

Para Alexandre o termo engloba muitos estilos musicais.Logo, o músico gosta de tocar jazz e para ele a música instrumental foi corrompida.”Hoje é sinônimo de qualquer coisa acústica ou não que contenha qualquer tipo de improviso”, desabafa o guitarrista.

Mihanovich define o jazz como uma “língua” e nunca cansou de declarar sobre a pequena quantidade de pessoas que o conhecem a fundo.”Nós, a turma desse quinteto e mais alguns, conhecemos um pouco essa língua, mas lamentamos perceber que para as pessoas em geral não há muita diferença entre o que nós tentamos fazer e o que um monte de outros grupos fazem bastante mal, logo temos só um lugar na fila e temos que esperar nossa vez, por isso só tocamos uma vez a cada dois meses”, disse o guitarrista.

Há muita gente e é preciso dar espaço para todos. Logo, para Alexandre é uma questão bem complicada. O músico não reivindica um lugar privilegiado,”… merecemos ter o mesmo valor do “Cruz Credo jazz group”?”, mas por ser um país democrático, todos devem participar e sem privilégios.

Logo, na visão de Mihanovich a “abertura” para a música instrumental ela é previsível e limitada.Para o músico é mais uma aparência exclusiva a um certo “tipo” de estilo musical num entorno onde funciona na base do “quem se conhece” ou a velada hipocrisia nunca mencionada por ninguém, mas todos conhecem bem.

“Parece ser um sistema controlado e limitado; se o “artista” não se adequa a esses limites, não será considerado – tudo numa boa.”, desabafa o guitarrista.

“Por exemplo, meu quinteto já foi considerado várias vezes como “o melhor som da casa, disparado”, mas nunca fomos convidados a participar de um festival de jazz, ou mesmo pra fazer uma apresentação numa daquelas casas grandes de “jazz”. Esses lugares e festivais são reservados a “gente importante” e grupos do exterior, não pra nós. O próprio público desses lugares já parece ser formatado ao ponto de esperar sempre algo impressionante e provavelmente bocejariam com nosso som; improvisos muito longos, ninguém com cabelos verdes, nenhum americano de chapéu etc. Quanto aos bares de musica ao vivo, temos o lugar na fila e tocamos uma vez a cada morte de papa. Quanto ao público, as pessoas sempre gostam muito, mas como eu disse, parece que elas gostam de qualquer coisa.”, desabafa Mihanovich.

 

Um exemplo disso foi quando tocou com amigos na frente de um bar em SP. Alexandre e o seu grupo fizeram um “puta som”, foi realmente muito bom, de alto nível e as pessoas na rua aplaudiram muito.

Em seguida um outro grupo entrou e começaram a tocar uma coisa lamentável.Segundo Mihanovich,as pessoas aplaudiram com a mesma intensidade. “Para elas qual é a diferença entre os dois sons? São só diferentes, ambos “muito bons”", disse o músico.

Para o artista, houve uma diminuição brusca do espaço devido ao aumento do número de “artistas”. “Para o “negócio”, the music business, é muito melhor ter 300 Johns Coltranes do que um só, não é? Como não se pode produzir 300 Coltranes, baixaram a percepção das pessoas e agora podem vender o que parece ser 300 Coltranes no lugar de um. Muito mais lucro! Enfim, ou temos que ser amigos de alguém influente no mundo da firma da música, ou esperamos nossa vez na fila.”,disse o guitarrista.

 

Mihanovich não lembra de ter ouvido nada. Apenas permaneceu o registro visual e era impossível ouvir o som do violão pois o do barulho do motor do ônibus da Viação Pássaro Marron era bastante intenso. Ao chegar na capital paulista, o jovem imediatamente procurou Armando Mihanovich, seu pai, e pediu para que ensinasse alguns acordes do violão.

Armando ensinou algumas notas ao seu filho e o matriculou novamente no Centro Livre de Aprendizado Musical-CLAM e fez aulas com a professora Mara. Sua mãe o presenteou com um cassete e uma fita do guitarrista Joe Pass onde Alexandre tirava alguns solos com uma palheta de papel.

Sua professora percebeu o desejo de Mihanovich em aprender a guitarra. Logo, Mara o transferiu para as aulas com Ulisses Rocha, onde a guitarra Fender, foi o primeiro instrumento que o então jovem aprendiz se encostou, uma sensação nunca mais repetida e segundo Alexandre, muito melhor do que o primeiro beijo.

Mihanovich continuou com as aulas de guitarra com Ulisses durante três anos “eu o admiro muito e agradeço por ter sido meu professor, pois é um cara honesto e verdadeiro, o que é raro, além de um excelente músico – hoje tocando coisas no violão que eu não saberia como imitar”, disse o guitarrista. Depois prosseguiu seus estudos como autodidata, tirando algumas músicas tocadas e compostas por George Benson e outros guitarristas referenciais.

Alexandre tentou morar em Nova York em 1987, mas voltou frustrado e psicológicamente arruinado. Daí, seu pai disse: ” Então agora pare com essas bobagens e vamos trabalhar de verdade”.Imediatamente o guitarrista entrou para a Avant Garde,onde permaneceu por 11 anos , estúdio de gravação de trilhas publicitárias e aprendeu a compor músicas para propaganda.

” O Cyro Pereira era o maestro do estúdio e com ele, e meu pai, fui aprendendo a fazer o que precisasse em termos de estilos de música etc.”, disse o músico onde compos uma trilha, um spot para a Tabacow, e ganhou uma premiação em Nova York. “Claro que eu não fui a Nova Iorque receber o prêmio, quem recebeu foi o diretor de criação da agência, como sempre”,desabafa o músico.

Erudito e novos negócios

Durante o seu período na Avant Garde , o maestro Thomas Lawerence aparece na agência. Logo, Mihanovich, com receio da palavra composta ” maestro americano”, demorou um ano para ligar para o maestro. Logo, após deixar a Rebop, banda que tocava junto com o baterista Bob Wyatt, acabou estudando contra-ponto e análise por seis meses. Quando Lawrence partiu para Nova York , mantiveram contato por fax, na época não havia e-mail.

Mihanovich tomou a decisão em estudar com Thomas para entender a “outra estética” como o maestro falava durante as conversas.” Como o jazz era o poste central, eu precisava me afastar dele para não confundir as bolas”, disse o músico.

“A música clássica é realmente uma outra estética. Hoje o jazz voltou a ser o poste central, aliás com mais força que antes. Tendo estudado a música clássica – e continuando a estudá-la até hoje – posso afirmar sem medo que o jazz é a música mais erudita, inteligente, difícil e avançada que existe”, reforça o guitarrista.

Em 2000 Alexandre fundou o estúdio Junk com mais quatro amigos. Em 2005, vai embora de São Paulo , “isso é uma outra estória”, disse o guitarrista.

Arranjos para Big-Bands

Mihanovich sempre foi fã do Thad Jones, por influência de seu pai e considera a Thad Jones & Mel Levis Jazz Orchestra bastante criativa e com muito swing que já existiu. “Thad é de longe o arranjador predileto”, disse o músico.

Nunca passou pela cabeça de Alexandre escrever arranjos musicais para big-bands. Uma vez, o músico precisava compor uma trilha de propaganda e era necessário o som de um grande grupo de sopros. Como o guitarrista não tinha a menor idéia para escrever ,chamou Wilson Teixeira, Nahor Gomes e mais um trombonista para ajudá-lo nessa empreitada.

“No estúdio eu só fiz um esquema mais ou menos e fomos improvisando vozes até parecer uma big band. A Sara Teixeira, mãe do Wilson, ouviu a peça, gostou e me pediu pra fazer arranjos pra um disco dela. Seria gravado no mesmo esquema improvisado, mas na época o Edmundo Cassis, pianista que me tinha sido apresentado pelo Lito Robledo, tinha um livro de análise de arranjos do Thad Jones, Sammy Nestico e Bob Brookmeyer. Ele me emprestou esse livro e eu então descobri a maravilha e os segredos do “som” da big band. Fiquei maluco e começei a estudar e escrever alguns arranjos pro disco da Sara”, disse Mihanovich.

Ao observar os arranjos de Alexandre, o trompetista Walmir Gil -provável participação na gravação do disco da Sara Teixeira, na época – recomendou a formação original da big band. Após Walmir fazer um ensaio na casa do Wilson para apenas ” dar uma passada” no arranjo, o guitarrista “tremeu”. A partir dessa experiência, Mihanovich começou a escrever para big-bands.

“Devo dizer que, na minha opinião, minha escrita de big bands não é das melhores, pois eu nunca estudei o tanto que precisava. O que eu tenho, e tinha antes de me meter com big bands, é a linguagem do jazz, e isso compensa uma escrita que aqui e ali poderia ser melhor, mais equilibrada, mais “certa”. Mas há controvérsias…”, declara o guitarrista.